O Calor de Marrakech

Em Marrakech senti muito calor, tanto que por vezes até me arrepiou o coração.
Compreendi o verdadeiro significado da frase "abraçar os espinhos para conhecer a flor", é um fato que é um lugar pobre e perigoso, mas as pessoas sentem se bem a ajudar. 
Metem se connosco com o simples objetivo de criarem laços. 

Ir a África pela primeira vez foi uma experiência fantástica e super enriquecedora.
Crescemos enquanto pessoas, aprendemos a valorizar o mais simples pormenor e acima de tudo tornou nos mais conscientes do que é a vida.

Ficámos alojados no Riad Spa Du Chameau, que está entre os melhores, sendo também o mais central, para quem pretende conhecer a zona histórica. Os empregados são atenciosos e as condições ótimas, sentimo nos literalmente em casa. 


A Praça Jemaa el-Fna é um dos locais eleitos pelos turistas, visto ser a principal praça da cidade marroquina, situada na zona histórica, Almedina. É repleta de diversos espetáculos, como saltimbancos, acrobatas, encantadores de serpentes,  músicos, dançarinos e contadores de histórias.


Visitámos a Ben Youssef Madrasa, uma escola islâmica anexa à Mesquita de Ben Youssef, repleta de arte, pela arquitectura de Marrakech.


Realizámos uma visita ao museu- Fondation Omar Benjelloun, que se encontra localizado no que em tempos era um palácio. Com uma arquitetura de cortar a respiração e com artesanato marroquino e arte contemporânea. 
Para não falar da paz que se sente assim que se entra neste espaço, repleto de sons particulares.


Fomos ao Palácio da Bahia, com estilo Marroquino, é um dos palácios mais brilhantes de Marrakech, que se encontra situado junto ao lado norte da mellah (bairro judeu).


E foi então realizado o nosso passeio a camelo, conduzido por um senhor amável que nos mostrou o deserto, sendo que com ele levava o seu filho de 8 anos.

Fez questão que visitássemos a sua casa, abrindo nos a porta mesmo não tendo porta, como se fossemos da sua família.
Foi o momento mais emocionante, em Marrocos e que mais mexeu comigo, levo cada pedacinho daquela tarde no meu coração.
Ver pessoas que tão pouco ou nada têm, abrirem nos a "porta", dando nos de comer e beber, mostrando se felizes, só pelo simples facto de ali estarmos junto a eles. 
Os senhores tinham quatro filhos, eram pobres, mas não viviam na pobreza. 
Aqui está onde quero dar o meu testemunho desta tão grande experiência.
Eles realmente não viviam no auge da riqueza e acredito que por vezes não teriam o que colocar na boca. 
Contudo, tinham um brilho no olhar e um sorriso encantador, de transbordar os céus. 
São felizes à sua maneira, acredito ser esta a arte de viver, viver bem.

Acredito que um dia, eles vão comentar sobre nós, aquele casal de pessoas tontas que pagaram 1 hora de camelo e nem andaram 20 minutos, para ir a caminhar no deserto, ao lado deles e daquela miúda chata que perguntava o tempo todo à criança se ela estava bem. Com isto, eles vão aparecer todos os dias na minha memória, num passado bom, na esperança de um dia voltar lá, voltar lá, e trazer comigo a certeza que eles se mudaram para uma casa acolhedora, onde a cama não são cobertores, onde o chão não é de pó, onde as crianças têm chinelos, onde eles têm tudo o que é bom e do melhor, porque eles, merecem.

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